Cura da Alma - Project Unbreakable | Parte 1

14:36



Olá, meus amores. Quanto tempo, hein? 
Já estava com saudades de dar uma passadinha por aqui. Bora papear?
No post de hoje iremos falar de assunto um tanto quanto delicado. Confesso que fiquei em duvida se escreveria ou não, na duvida fui para o joelho (risos). Fui conversar com meu melhor amigo, precisava ouvir o Espírito Santo falar ao meu coração de como abordar este assunto, logo tive a resposta que tanto buscava para esse artigo, O Espírito Santo falou fortemente comigo dizendo: “Eu fui a sua cura, eu fui seu Consolador. Tu és livre, não existe mais condenação para aqueles que estão em cristo”.

Vamos falar sobre violência sexual
Só quem passou sabe o quanto isso gera uma drástica mudança na vida das vítimas. Em uma pesquisa realizada em 2014, a cada hora quase três denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes foram registradas no país pelo Disque 100, serviço gratuito de denúncia por telefone do governo federal. A cada 11 minutos é registrado um caso de violência sexual, uma triste e dura realidade. Esses números assustam, mas são reais.

O que é violência sexual? É uma violação dos direitos sexuais que se traduz pelo abuso e/ou exploração do corpo e da sexualidade de crianças e adolescentes – seja pela força ou outra forma de coerção – , ao envolver meninas e meninos em atividades sexuais impróprias para sua idade cronológica ou a seu desenvolvimento físico, psicológico e social. O abuso e exploração sexual são as duas formas, igualmente perversas, com que a violência sexual se manifesta. O abuso é qualquer ato de natureza ou conotação sexual em que adultos submetem menores de idade a situações de estimulação ou satisfação sexual, imposto pela força física, pela ameaça ou pela sedução. O agressor costuma ser um membro da família ou conhecido.
Fonte: Childhood Brasil | www.childhood.org.br

Eu passei por isso
Por que falar nesse assunto tão doloroso para muitas meninas? Será que estarei tocando na ferida de tantas meninas que sofrem ou sofreram caladas? Meninas, eu sofri abuso sexual durante dois anos, dos meus 8 aos 10 anos. Com isso desenvolvi vários transtornos psicológicos, depressão, dificuldade de confiar em pessoas, medo, sentimentos de culpa. Eu me sentia suja e acabei desenvolvendo TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Eu me lembro que em todas as vezes que eu era abusada eu chegava em casa e tomava vários banhos ao dia. Eu me esfregava com a buchinha até minha pele arder para me sentir mais limpa, lembro que junto com água que descia do chuveiro as minhas lágrimas caiam e escorriam pelo meu rosto. Chorava aquele choro reprimido para que meus pais não pudessem escutar. Só eu e Deus sabíamos como estava o coração daquela pequena menina de apenas oito anos de idade. Confesso que ainda é muito difícil falar nesse assunto abertamente. Vocês podem até me perguntar "Mas, Michelly, você disse que já estava curada no começo do post?". Sim, eu me sinto totalmente curada e liberta pelo sangue do Cordeiro. Mas relatar isso neste artigo é difícil, pois há um sentimento de vergonha perante a sociedade, é constrangedor. Gostaria de abordar de uma forma mais leve ou então nem tocar no assunto, mas pensei em tantas meninas que passaram por isso tudo e quero que meu testemunho de cura possa ajudá-las de alguma forma.

Por que é tão difícil para as vítimas a denúncia aos agressores?
Muitos dos casos ocorrem dentro da própria casa. O vínculo familiar implica em uma série de afetos, hierarquias e numa relação de confiança. Estes fatores interferem de forma direta nas conseqüências do abuso sexual vivido por uma criança. No meu caso era um amigo da família de grande confiança para meus familiares. Ele tinha livre acesso dentro da minha casa. Na minha cabeça ninguém acreditaria em mim e pensava na vergonha, nos julgamentos. A maioria das pessoas sempre irão olhar pra você e te fazer sentir culpada por algo que você não tem culpa, você é a vitima. A criança pode ainda se sentir culpada por não conseguir se livrar da situação, ignorando o fato de que não é responsabilidade dela colocar um fim nisso. 

Dividirei esse artigo em duas partes, pois é extenso e complexo. Falei que fui abusada durante dois anos e a consequência que isso trouxe na minha vida. No próximo artigo falarei detalhadamente do meu testemunho de vida e de cura, falarei de como alcancei a minha cura da alma através da minha fé. Quero te adiantar que assim como Deus fez na minha vida fará na sua também. Talvez você começou a ler esse artigo em pedaços, pensando que jamais esses pedaços irão se juntar novamente. Mas eu digo a você que Deus vai te curar e colar todas as partezinhas desse coração. Acredite, Ele não mudou. Ele é o mesmo Consolador e fiel.

Antes de finalizar esta primeira parte quero trazer para vocês o “ Projeto Unbreakable” para quem ainda não conhece vale apena conhecer eu conheço a algum tempo e foi muito bom para meu processo de cura. Abaixo está um pouco mais sobre o projeto.

Sobre o Projeto Unbreakable
A fotógrafa americana Grace Brown é a autora do corajoso “Unbreakable”. Criado em 2011, o projectunbreakable.tumblr.com, nos traz imagens de pessoas que foram violentadas sexualmente em algum momento de suas vidas. No tumblr, tais indivíduos, mulheres, em sua esmagadora maioria, aparecem segurando cartazes com as frases que lhes foram ditas quando sofreram a agressão.


"Mas eu dirigi todo o caminho até aqui para isso." (Isso foi depois que eu vomitei e implorei para me deixar voltar para casa)
 "Ninguém tem que saber, estou apenas me divertindo."

Unbreakable tornou-se, para essas vítimas, um modo de lidar com o trauma, pois, ao compartilhar o ocorrido, a dor que elas carregavam fazia tempos diminui. Não é por acaso que Brown afirma que inúmeras pessoas já a procuraram, querendo passar por um processo de libertação através da sua obra. O sucesso do ensaio é tão notório que até a revista TIME indicou a página como um dos 30 tumblrs que vale a pena seguir. (...) E deve ser valorizado no sentido de que levanta o diálogo e nos obriga a olhar para a ferida da violência sexual. Ao lermos tais frases, e principalmente quem as falou, percebemos que o problema é muito maior e extenso do que queremos acreditar. Algo que nos faz pensar e nos faz ter a vontade de não ficarmos mais de braços cruzados e com o rosto virado para o lado."
Meninas, para quem quiser conhecer mais sobre esse projeto tão lindo, deixo o link:







Sou a Michelly Gois, tenho 25 anos, casada e feliz. Sou formada em Gestão Financeira,  cristã de nascença, louca e apaixonada por esse Deus lindo. Mesmo assim já passei pela fase do "filho pródigo" e aprendi que o meu lugar é junto do Pai, onde nunca deveria ter saído. Juntas vamos falar do amor que provém de Deus. Também falaremos das dúvidas, dos medos, que surgem quando somos solteiras, ou quando estamos namorando, ou até já casadas. Escolher esperar é para os fortes.

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