Reflexão

Precisamos falar sobre depressão

17:04


Eu passei a semana inteira vendo notícias, vídeos e lendo artigos sobre o Setembro Amarelo. Pensei comigo mesma que não daria tempo de escrever algo (realmente eu não tenho , final de curso é assim mesmo!). Mas não quero deixar essa oportunidade passar para expor coisas que estão em meu coração nesses dias. Estive conversando com a Carol, aquela que sempre posta textos maravilhosos na página <3, sobre depressão. Combinamos de fazer um propósito com vocês (orem por isso) em que abordaremos em uma série de artigos pontos sobre a depressão.

Depressão é uma doença silenciosa e avassaladora. Não é só uma fase, não é frescura, não é uma coisa boba. É uma situação séria e que precisa ser tratada. O suicídio hoje nos dá um sinal de alerta para uma sociedade que vem sofrendo anos após anos à sombra da depressão. Eu acredito que todos nós passamos por algum momento na vida em que nada mais fez sentido. Um grande vazio no coração e zero de expectativa na vida. Não sei dizer ao certo o que pode ter gerado isso, cada um sabe de suas lutas, cada um sabe a tempestade que enfrenta.

 Mas por um momento eu deixei a pressão diária externa fazer minha cabeça. Algum dia da vida eu passei por uma grande decepção que me tirou não só a alegria, mas a vontade de se levantar pela manhã. Você pode pensar "poxa, mas uma adolescente?". Sim, isso acontece tanto com uma adolescente quanto com um renomado empresário. E sem ao menos perceber você já está carregando uma insatisfação quando diz "Pois, é. Mais um dia" e isso criar um grande peso em seus ombros.

Não estou aqui para fazer uma mágica e toda dor passar e muito menos te apontar o dedo e dizer que você é o culpado disso tudo estar acontecendo. Na verdade eu quero te fazer um convite para refletir comigo. Sim, faça-me esse simples favor: não saia desse blog sem pensar sobre o que vou te contar.

Eu me peguei nessa situação. Me peguei fingindo sorrisos enquanto chorava por dentro. Me peguei com uma carga de culpa que já não aguentava carregar sozinha. Me peguei vazia de sentido, de razão e de vontade de lutar e caminhar. Talvez eu não tenha ido tão longe a ponto de desejar tirar a minha vida para acabar com a dor. Mas eu queria que aquela dor fosse embora, já faziam dias que eu não abria um sorriso ou dava aquela gargalhada, sabe daquelas que fazem lágrimas escorrerem no rosto? Não, não são lágrimas de dor, são lágrimas de alegria. Talvez essas seus olhos desconhecem, não é?

Eu me levantei e disse para mim mesma que não podia deixar que as coisas continuassem daquela maneira, mas não tinha forças. Resolvi fazer o que minha mãe sempre me ensinou: buscar a Deus. Não dessa maneira religiosa que você talvez esteja pensando. Mas sim uma busca no sentido de se entregar por completo, de expor seu coração a Ele e deixar que Ele mesmo se revele a você. Bem, nos primeiros dias em que eu me ajoelhava não saiam palavras, apenas lágrimas misturadas numa dor surreal no peito. Nos dias seguintes palavras começaram a sair, frases que eu repetia constantemente "me tira dessa dor". Os meses foram passando e outras frases apareceram "encha meu coração com Teu amor e com a Tua alegria". Sim, essas palavras abriram meu entendimento para algo que fez toda a diferença: amor e alegria.

Porque foi nessa época que eu descobri que o amor é o combustível que nos mantém vivos. É o amor que faz tudo ter sentido. Mas não é o amor natural que estou falando, estou falando do amor de Deus, ou melhor do amor que é Deus. O primeiro decepciona, o segundo restaura. O primeiro acaba algum dia, o segundo nunca acabará. Você precisa olhar para dentro de si e buscar algo maior para te fazer sorrir novamente, para te fazer levantar pela manhã e encher o coração de força e alegria.

Eu olhei para dentro de mim e vi um espaço vazio que encaixa direitinho com o amor que Deus tinha para me oferecer. Olhei para mim e encontrei um motivo para viver: fazê-Lo feliz em todos os meus dias aqui. E na alegria Dele minhas forças são renovadas. Funciona até hoje. Não sei se será o mesmo com você, mas te convido a tentar. Eu te convido a fazer essa busca ousada, a dizer para si mesma "eu posso e eu sairei dessa situação". Entregue-se a Deus e se precisar de um apoio, escreva para nós! <3

Claudiane Almeida



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Carol Souza

Resiliência

23:28



Todos os dias quando estou indo para o trabalho, vejo uma senhora tetraplégica observando tudo que acontece por trás das grades de um portão branco encardido. Sempre fico me perguntando como deve ser a vida daquela mulher. Provavelmente ela depende de alguém para realizar quase todas as atividades básicas do dia-a-dia. Por trás daquelas grades e presa à aquela cadeira de rodas, todos os dias ela acompanha a agitação de uma avenida que presencia o caos durante todo o dia. São acidentes, brigas, estresse e uma poluição imensa. Ainda assim, todos os dias, lá ela está observando toda essa confusão no mesmo lugar sempre. 

Às vezes quando eu passo e ela não está, fico tentando deduzir o porquê da sua ausência. Será que ela pegou um resfriado e preferiu ficar dentro de casa para evitar a poluição? Essa é sempre minha primeira alternativa para preencher o vazio daquela senhora estampado na varanda. Todos os dias quando eu passo às nove horas e alguns minutos lá, aquela senhora de cabelos curtos está lá sentada com uma expressão rígida e como quem fizesse pouco caso de estar ali. 

Todos os dias, desde que passei a observá-la, foram assim, exceto hoje. Hoje ela sorriu. Hoje, assim como as cortinas se abrem para um espetáculo, ela me abriu um sorriso. E que sorriso foi aquele! Daqueles que fazem ruguinhas no rosto e que enchem o olhos de quem vê! 
Foi assim comigo e por isso escrevo. Havia poesia naquele sorriso. Não consegui pensar em outra coisa senão no porquê daquele sorriso depois te tantos dias acompanhando apenas uma expressão de poucos amigos. Não sei o porquê do sorriso. Só me lembro de que quando passei e olhei para ela, ela sorriu.  Não sei se foi pra mim, mas, timidamente, eu tentei retribuir com um meio sorriso. Saiu meio amarelo, mas foi por timidez. Não sei se eu fico fantasiando as coisas ou se isso é explanar a beleza delas, mas aquele sorriso me fez pensar.  

Fiquei pensando no quão difícil deve ser a vida daquela mulher. Pensando que aquelas ruguinhas destacadas em um sorriso  naquele momento, poderiam, outrora, terem sido forjadas através de dor e sofrimento. Não pensem que estou com pena daquela senhora. No momento, eu não a conheço e provavelmente nem terei essa oportunidade, mas tenho orgulho. Orgulho daquele sorriso. Orgulho porque com todas as suas limitações, ela conseguiu oferecer um sorriso a um estranho e às vezes eu não sei oferecer isso nem a quem eu amo.  

Talvez felicidade seja algo parecido com a gratuidade de um sorriso. Talvez seja simplesmente aproveitar o que a vida tem nos dado e andar com o coração no alto e os pés firmados no chão, um coração grato.  Às vezes queremos que a felicidade nos atinja e seja algo catastrófico. Mas talvez, felicidade seja poder levantar e sentar   beira da avenida e se entreter com uma vida que não é sua, mas que está ali, ao alcance do seu olhar, acontecendo.  

No fim do dia, eu fiquei repensando no que eu quero e no que eu realmente preciso: eu preciso ser grata. Ser grata nas pequenas coisas, na simplicidade de poder sentir e dar sempre a volta por cima. Eu sei que há sempre uma nova chance. Sei que não estou só. Nós não estamos!

Talvez felicidade seja ter Paz para sorrir para um estranho e lhe oferecer  ajuda como um dia eu recebi de Alguém.

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